Lá pelos anos 70, uma rapaziada de Vila Kosmos: Solemar, Miltão , Joãozinho, Swami, Canela, Bilinho, Sr Enio, Edvaldo (Tifú), Puruca, Cesar Fogão, Paulinho Radiador, entre outros, se reunia diariamente na Rua Itacambira - na calçada da Nenete - e fazia uma roda de samba bem informal, com tudo que tinha direito, cerveja gelada, um angu de primeira da Dona Luzia, muito samba, e é claro, belas mulatas com um requebrado de deixar qualquer malandro de queixo caído. As esposas, que não eram poucas, faziam aquele alvoroço para não deixar a rapaziada curtir o samba, mas toda a noite sempre com as mesmas desculpas, lá estava toda a galera reunida novamente.
Ao som de repiniqueis e batuques, encontrava-se o samba de fim de tarde, para a alegria de todos aqueles que esperavam ansiosamente o fim da labuta. Mas como se não bastassem as esposas reclamando, naquela mesma rua tinha a padaria do Seu Pereira, um português que falva aos berros, e não tinha o menor tato para vender seus produtos – por ai já se pode imaginar – o fato era que, seu Pereira queria acabar com a alegria da moçada e certo dia ligou para a Rádio Patrulha denunciando o samba, dizendo que a barulheira afastava os clientes de sua padaria.
Com o país sob a égide da ditadura militar, a Rádio Patrulha era famosa por não ouvir desculpas: os meganhas desciam do camburão já distribuindo cassetada pra tudo quanto é lado, até não restar ninguém de pé. Depois, quem quisesse que fosse juntar o que sobrava de cada um.Numa certa noite, sabe-se lá por que, a moçada resolveu encerrar a roda de samba mais cedo do que de costume e ir tomar umas e outras no clube do Florença, ali por perto. Encerraram o samba, minutos depois de Seu Pereira ligar para a "Cana Dura" fazendo nova reclamação do samba.
Quando a Patrulha chegou não ouviu e sequer percebeu qualquer vestígio de samba no local, mas pode presenciar Seu Pereira discutindo com um freguês. Dai, não prestou, os meganhas que já estavam de "saco cheio" de tanta reclamação, puderam comprovar que era tudo invensão do portuga, e desceu o cacete no bigodudo.
Com a padaria e o nariz todo quebrado, o vleho portuga não teve outra alternativa a não ser parar de reclamar do samba, ao contrário, quando começava a escutar os primeiros acordes, corria para se juntar ao grupo tentando até ensaiar uma sambadinha.
Por: Raphael Caetano
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