O termo boteco provém da abreviação de botequim. Termos estes que são oriundos do português de Portugal, botica, e do espanhol da Espanha, bodega, os quais derivam do grego apothéke, que significa depósito. Entretanto apotheca e apotheké, trazidos pelo poder difusor do Império Romano, passaram a designar também farmácia, termo que tem sua origem em botica.
O Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado dá como origem do termo português botequim, o italiano botteghino, que seria um locale di vendita dei biglietti del teatro; banco del lotto. Concluindo-se que em suas origens, na Itália, o botequim vendia entradas para o teatro e bilhetes de loteria.
Em Portugal a botica era um depósito, ou loja onde se vendiam mantimentos e miudezas, mesmo significado se atribui à bodega espanhola. Nada muito diferente do que define o Houaiss: "pequena venda tosca onde servem bebidas, algum tira-gosto, fumo, cigarros, balas, alguns artigos de primeira necessidade, geralmente situado na periferia das cidades ou à beira de estradas". O Aurélio afirma os mesmos conceitos e diz ainda que botequim é a alteração de botiquim.
Além de serem caracterizados por venderem diversos produtos, os botecos passaram também a ser um ponto de encontro entre os fregueses. Já no início do século XX, os proprietários passaram a oferecer aperitivos e bebidas aos clientes, como forma de agrado. No Brasil a origem do bar está diretamente associada à abertura dos armazéns portugueses, no Rio de Janeiro do século XIX.
Foram em bairros como Saúde, Gamboa e Santo Cristo, que tiveram uma grande concentração de "boticas", pequenos armazéns de secos e molhados em que se encontrava de tudo. Os cariocas costumavam passar pelas "botiquinhas" para completar as compras que faziam nas feiras, e aproveitavam para degustar alguns quitutes, acompanhados de um vinho. Sem ser restaurantes, essas casas, uma mistura de armazém e bar, criaram um estilo que sobrevive em todo o país, com alguns exemplares autênticos remanescentes dos velhos tempos. É o caso do bar do Seu Domingos, de 1922, no Santo Cristo; do bar do seu Odilo, de 1910, na Saúde; ou, ainda, do próprio e tradicional Recanto da Pedra do Sal.
Vistos como um espaço de socialização e entretenimento, os botecos passaram a ser freqüentados pelo público masculino, deixando aos poucos de ser um local apenas para compras rápidas. Posteriormente, passaram também a receber as mulheres.
E assim como a França é conhecida por seus cafés, a Inglaterra por seus pubs e a Itália por suas cantinas, o Brasil tornou-se conhecido por seus botecos, locais que ficaram tradicionalmente conhecidos pelo encontro entre "boêmios", onde se procura uma boa bebida, petiscos baratos e uma boa conversa sem compromisso. Da mesma forma que o samba e o futebol os botecos tornaram-se fortes instituições e/ou paixões nacionais do brasileiro.
São redutos que não se entregam a modismos, mas também nunca saem de moda. Podem até ser diferentes entre si, mas apresentam elementos comuns que os agrupam na mesma categoria – como as relações quase familiares entre fregueses, proprietários e garçons. A idéia do fiado, de proximidade e da “porta” de esquina, onde todos se conhecem e se encontram para conversar mantêm viva a alma do boteco. Quem o freqüenta geralmente não reclama da limpeza do banheiro ou da presteza do garçom; ao contrário, aproveita para fazer piada.
Alguns ainda preservam a imagem de um local mais simples e antigo e preparam suas refeições da mesma forma como se fazia no início do século. Há aqueles que oferecem um atendimento mais personalizado, e outros que atualizaram seus cardápios, se modernizando. Além das bebidas e petiscos, outra grande característica da identidade dos botequins é o happy hour, programa quase obrigatório daqueles que depois de um dia estressante de trabalho se reúnem para contar boas histórias e relaxar, apoiando-se num bom copo de cerveja.
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